Agarra-te à vida, não ao cabelo

Decidi “apropriar-me” do nome da nova série da Netflix para dar título a esta novidade: Vou cortar o cabelo! Acredito que para a maioria das pessoas, fazê-lo, só depende de ter ou não tempo para isso, mas eu, desde que me conheço que amo cabelo comprido pelo que cortar 1 centímetro que seja sempre me provocou, literalmente, “arrepios na espinha”.

Já que em criança nunca consegui convencer os “meus adultos” de que o cabelo ao estilo da Rapunzel era o mais indicado para mim – razão pela qual me via obrigada a colocar os cortinados de renda da minha avó na cabeça – comecei na adolescência a dar tempo e espaço às madeixas que, entretanto, se estendiam pelas minhas costas chegando bem perto da cintura. Não fora uma permanente atroz que me fizeram quando tinha 20 anos, teria ininterruptamente até hoje mantido o meu cabelo bem longo… sim, não somente comprido, mas longo!

Como podem perceber a história do meu cabelo é GIGANTE, e decididamente não é para ser contada agora, pois a ideia fulcral deste desabafo é a LIBERDADE!

Cresci a desejar ter longos cabelos e tive. Tive e tenho! Como é bom concretizarmos os nossos sonhos, não é? Só que não! Diz-me alguma maturidade que já vou tendo que quando algo que desejamos nos condiciona, invadindo as nossas rotinas tornando-se numa preocupação, então devemos dizer: BASTA! Tanto que teria para vos contar a respeito desta poderosa palavra, porém hoje resumo ao: vou cortar o cabelo!

Não fui apenas eu a alimentar a ideia de que o cabelo comprido era mais feminino. Estas foram algumas das pérolas que ouvi ao logo dos anos: “Tens a testa demasiado alta e não devias apanhar o cabelo”; “O cabelo solto fica-te melhor porque esconde as imperfeições da tua cara”; “O cabelo comprido ajuda a disfarçar o teu nariz”; “Tens traços masculinos quando mostras demais a cara”; “Não sei se vais ficar bonita se cortares o cabelo”. Não imputo culpa a absolutamente ninguém, mas, entre estes “cumprimentos” e a materialização de um dos sonhos de criança, a verdade é que os anos foram passando comigo a achar que só podia ter cabelo comprido. Eu era assim e não me permitia a ser outra coisa. A isto acrescia o facto de eu não gostar das minhas ondas naturais, o que me fez alisar o cabelo ano após ano: secadores e alisadores eram os meus maiores aliados numa luta que obrigatoriamente era diária. No final do ano passado, por sentir os fios do meu cabelo tão saturados, decidi de quando em vez deixar o cabelo ao natural e fiquei admirada quando os elogios surgiram. Comecei a olhar-me ao espelho e a admitir outras opções. Fiz “contas à vida” e percebi que o tempo que não gasto a esticar o cabelo, posso investir em caminhadas logo pela manhã, a pôr a leitura em dia, a brincar com as minhas 3 amigas de 4 patas ou até mesmo a dormir mais um bocado!

Não é errado arranjar o cabelo. Mesmo ao natural, cuido o meu com toda a atenção pois não gosto de desmazelo, mas a obrigação de o manter de determinada forma estava a tomar conta de mim tomando-me muito tempo e levando-me a despender energia preciosa que necessito para coisas mais importantes, como por exemplo escrever. Bem, depois da forma vem o comprimento. Quando em julho passado fiz 43 anos decidi que não iria chegar ao fim de 2018 com o cabelo comprido. Fiz muita pesquisa, comparações com pessoas com o mesmo tipo de rosto, simulei, e decidi que vou mudar.

Cortar o cabelo não muda nada em mim ou na minha vida, mas o facto de eu me permitir cortar o cabelo significa que eu mudei. Estou a confundir-vos???? Sinto-me mais segura certamente porque intrinsecamente sei algo que não sabia: o cabelo não me define! Tão obvio para a maioria, mas uma novidade para mim! Não é o fim de um ciclo, não surge após uma separação, nem antecede um casamento, e por isso me parece tão natural! Não é uma questão de moda, ou tendência, nem significa que nunca mais deixarei o cabelo crescer, que nunca mais voltará a ser comprido. Significa sim, que dentro de 4 dias cortarei com um passado onde só me sentia bonita coberta, ou encoberta, por uma longa cabeleira loura.

Xoxo

Maria João Madeira

PS- Vejam o trailer https://www.netflix.com/pt/title/80189630  . Eu vou ver o filme!

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