Fazer 44

Gosto de fazer anos! Mais do que de celebrar – coisa que até muito me agrada – gosto efetivamente de fazer anos, e assim é desde que me lembro de mim. Muito embora nunca tivesse sentido pressa em crescer, queria ser livre e independente, viver sozinha, comprar uma mota… mesmo sem nunca ansiar pelos 18 ou 20 anos até porque ainda menina acreditava que ter 25 anos era estar à beira da velhice. Gosto também do meu dia: o dia 4 de julho! Não é recente o facto de eu assumir esta data como a minha mudança de ano. Este ano não foi diferente e aqui estou eu, praticamente dois meses depois de o meu novo ano ter começado, cheia de energia para tudo o que aí vem.

A minha vida não é nada do que imaginei, mas eu não sou muito diferente do que era em menina…. apenas sei mais coisas porque vivi mais. Simples assim!

Quando tinha 7 anos queria ter 6 filhos, com 17 não queria absolutamente nenhum. Hoje, tenho duas Princesas que não carreguei na barriga, mas que trago ao colo e no coração.

Aos 9 anos queria ser bailarina. Hoje ainda gosto de dançar, mas nas artes e espetáculos apenas e sempre só cantei.

Perto dos meus 14 anos queria ser estilista e apresentar as minhas coleções em Paris. Hoje dou conselhos de moda, truques de maquilhagem e fico verdadeiramente feliz cada vez que a aplicação de um simples eyeliner faz alguém sorrir por se sentir mais bonita.

Com 19 anos queria ser uma Business Woman e trabalhar numa empresa onde um elevador tivesse que subir para me levar até ao meu escritório. Desejei que essa carreira me fizesse viajar para todo o lado o tempo todo, levando-me para longe de tudo e de todos. Hoje, quando ao final da tarde deixo o meu escritório, desço pelas escadas sempre a pensar chegar depressa a casa que aos poucos voltou a ser um lar.

Já com 25 anos queria cantar e fazer disso a minha profissão, e foi precisamente assim que aconteceu! Durante cerca de 10 anos, integrei projetos, cantei a solo, fiz musicais. Cantei fado, pop, rock, pop-rock, soul, e entreguei-me a uma rotina invertida e a uma vida assumidamente incerta: trabalhas quando todos os outros se divertem e da agenda constam sempre mais “silêncios” do que aqueles que desejas.

O luto aos 31 anos entranhou em mim a consciência da finitude que nos é inerente enquanto seres deste mundo. Esta perceção trouxe consigo a minha “adultez” efetiva e uma vontade de viver, profunda e intensamente, tudo e todas as coisas possíveis (e quem sabe impossíveis).

Os 34 anos mostraram-me outra paixão: a educação e formação! Inesperadamente fui convidada a participar num projeto que me proporcionou imergir horas e horas e horas e horas numa partilha grandiosa que é a formação. Entretanto fui (muito, muito, muito) abençoada com o AMOR. Foi todo um novo mundo que me foi apresentado e do qual falarei caso se mostre oportuno e relevante. A verdade é que, assente neste AMOR, se edificou a minha família nuclear agregando às antigas, novas pessoas… Não vivo sozinha, nem tenho mota, nem subo de elevador (ainda) para o meu local de trabalho, mas sinto-me plena e realizada, sou muito mais rica, sou seguramente mais MULHER e sou imensamente tão mais feliz!!

10 anos se passaram desde que o meu caminho não é apenas meu, então, e pela primeira vez, vejo-me a viver algo que não planeei. Sou uma pessoa controladora. Reformulo: Sou A pessoa controladora! Aceitar esta nova fase, onde tudo é novo e imprevisível não foi simples até eu entender que é SIMPLES ASSIM: Aceitar, agradecer, retribuir e VIVER cada momento tratando-o à medida do que ele é: único! Não pretendo fazer bonito com este lugar comum, quero sim, dividir com quem me lê, um princípio fulcral quando se pretende usufruir desta dádiva que é a vida. Interiorizar a dimensão e importância de cada momento, permite-nos desfrutar e contribuir plenamente, da e para a Vida, dando assim significado, sentido e razão à nossa existência.

A “par e passo” com esta tomada de consciência importa não abandonar a nossa essência. Crescer é inevitável, porém a vida a acontecer, não invariavelmente a um ritmo alucinante, afasta-nos da nossa verdadeira identidade. Queremos corresponder a todas as coisas, fazendo justiça a todos os papeis que assumimos, a toda a hora em todo o lugar. Esta realidade adoece-nos emocionalmente, porque estamos a contrariar a nossa natureza, fugindo de quem somos originalmente. Assim, e quase a terminar este meu texto, partilho algumas questões que compõem um exercício, na expectativa de promover uma reflexão profunda, autêntica e intimista em cada uma de vós:

  • Que criança era eu? Que características me definiam quando eu era ainda menina?
  • Vou recordar um momento bom vivido na infância (apenas um, estando sozinha ou acompanhada). Que cena é esta? Porque será que a minha memória me encaminhou para este instante?
  • Ao observar as minhas fotografias de criança tento perceber o que se repete nelas. O que têm essas fotos em comum e que é exclusivamente meu: o brilho no olhar!? A criatividade!? O otimismo!? A rebeldia!?
  • Eu estou distante dessa menina que fui? Quando é que me perdi de mim? Porquê?

Resgate essa menina. Não se perca de vista. Não desista de si!

Estou à vossa disposição caso pretendam trabalhar estes conceitos e técnicas com maior profundidade. Podem encontrar-me lá no Instagram pinkrock.blog

Quanto a mim, não sou bailarina nem tão pouco tenho 6 filhos, mas das minhas fotos de menina mantenho a ousadia e o sorriso.

Xoxo

 

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