36 horas de Jejum

Este assunto necessita de um ponto prévio: NINGUÉM FAÇA ISTO SEM IR AO MÉDICO PRIMEIRO, OK? O texto que se segue não pretende ser um conselho, nem tão pouco um parecer ou uma orientação, apenas reflete a minha experiência pessoal, que por uma série de razões, se mostra pertinente partilhar. Todas as pessoas são diferentes, cada organismo tem as suas próprias particularidades, o que é bom para uns não é necessariamente bom para todos, o que funciona com umas mulheres não funciona com outras, cada caso é um caso… blá, blá, blá, blá! Por isso digo e repito “bem alto”: NINGUÉM FAÇA ISTO SEM IR AO MÉDICO PRIMEIRO!

Acreditando que o parágrafo anterior me irá poupar a alguns – não a todos certamente – comentários desagradáveis, permitam-me então que vos conte esta parte da minha história. Tenho um problema com o peso, se bem que o “dito cujo” não tem qualquer problema comigo: chega sem avisar, sem convite, sem motivo aparente… chega e gosta de ficar, o malvado. Há longos anos que assim é. Não fui uma criança gorda, mas os comportamentos alimentares que adotei na adolescência e na juventude transformaram-me numa mulher com excesso de peso. Tinha vinte e poucos anos e com pouco mais de metro e meio cheguei aos 90 quilos. Certamente uma história para mais tarde.

Quando descobri o jejum, há cerca de 10 meses, o meu peso rondava os 62 quilitos – nada de muito exagerado para uma mulher de 44 anos. A questão não é o que me diz a balança, mas sim como eu me sinto na minha pele! Talvez por já ter estado no limiar da obesidade e por também já ter convivido durante 3 anos com um corpo de 52 quilos, sei precisamente a sensação dos extremos e como o peso é um fator tão impactante ao nível das emoções. Em novembro de 2018 estava difícil baixar dos tais 62… “fechava a boca” conseguia descer até aos 59/60 quilos, mas em poucos dias recuperava o que tinha perdido.  A frustração apodera-se de nós quando sentimos que fazemos um esforço e ainda assim os resultados teimam em não aparecer. Aqui estamos perante o maior risco de todos, porque é justamente neste clima de desalento que surgem pensamentos como “perdida por cem, perdida por mil”. É preciso criar um distanciamento desta situação e de nós mesmas. Quando o fazemos percebemos que não importa quão gigante é o esforço se não estamos mesmo empenhadas no processo. É obvio que é importante visualizar a meta, no entanto, é determinante entender o resultado como uma consequência e não como um prémio: “O meu corpo ficará com 55 quilos como consequência da minha relação com a comida” em vez de “Eu chegarei aos 55 quilos porque me portei bem durante 2 meses”. Esta perspetiva é fundamental para interiorizar que para estarmos bem é vital alterar a nossa forma de estar perante a comida e não fazer dietas loucas ambicionando milagres. Ora então, vamos lá!

Embora esteja na moda o jejum não é coisa recente. Defendido quer por crenças religiosas quer por práticas medicinais, esta técnica que consiste na privação de alimentos, tem sido implementada ao longo dos séculos visando a purificação. Mas, porque o texto já vai longo, permitam-me saltar esta parte de enquadramento histórico. Objetivamente eu iniciei a busca de informação sobre o jejum com o propósito de emagrecer. Ao pesquisar percebi que existem inúmeras correntes/tendências/abordagens o que inicialmente me deixou confusa e dividida.

Sistematizando e avançando para a parte operacional do processo: Fazer jejum é não comer. Espero que quanto a isso não existam grandes dúvidas. Podemos e devemos estruturar um cronograma para o fazer, sabendo que existem jejuns de 12, 16, 24 e 36 horas.

O que eu faço: Jejum intermitente de 16 horas + Jejum de 36 horas uma vez por semana. Darei o exemplo de uma semana para que visualizem como funciona tudo isto na prática.

  • De sábado a quinta-feira  (6 dias) – como das 10 horas da manhã até às 18 horas da tarde;
  • Sexta-feira – não como nada (bebo muita água);
  • Volto a comer no sábado. Mesmo podendo fazê-lo mais cedo, quase sempre mantenho o horário das 10 horas da manhã para fazer a primeira refeição após o jejum das 36 que assim sendo vai um pouco mais além.

Quando recebo um convite para jantar, tenho um evento ou uma comemoração, suspendo (sem culpa) o cronograma, mas não indo além de uma refeição. E deixem-me que vos diga: ainda nunca falhei o dia de jejum de 36 horas! Em janeiro de 2020 fará 1 ano que adotei este método e se algumas vezes senti “um ratito” gerando em mim alguma tentação, os benefícios que decorrem do processo fazem-me querer continuar sem a mínima hesitação:

  • Já perdi mais de 8 quilos;
  • O sistema digestivo funciona significativamente melhor;
  • Durmo melhor;
  • Aumentou a minha capacidade de concentração;
  • Diminuição significativa de cansaço/preguiça e consequente aumento da produtividade;
  • Desapego – palavra tão na moda – natural da obrigatoriedade de cumprir refeições. Esta última vantagem merece por si só um texto, já que se trata de uma dinâmica que culturalmente está tão enraizada que é quase impraticável repensar todos os rituais sociais a que estamos habituados dissociando-os da bela mesa recheada de fantásticas iguarias! Só vos digo que é possível.

Não importa se algumas teorias dizem que devemos comer de 3 em 3 horas, ou se outras advogam a pertinência das 5 refeições diárias, importa para mim, o facto de me sentir bem, estado este que as análises que fiz o mês passado, cerca de 8 meses após o início do jejum, comprovam sem qualquer sombra de dúvida.

Xoxo

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